Alvalade Cineclube

Há mais cinema no bairro

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Há umas semanas atrás publicámos no Facebook do Viver Alvalade uma foto antiga do cinema Alvalade. Foi por instinto e vontade de recordar boas memórias de um bairro que sempre se afirmou como um dos mais cultos, informados e agradáveis da capital. Um bairro onde muito aconteceu, onde muitos viveram grandes histórias e que no presente continua a fazer jus ao passado e a ultrapassar fronteiras. É, de facto assim, o ADN de Alvalade.

Esta semana, o jornal Observador, que agora mora no bairro, publicou uma extensa reportagem sobre um grupo de cinéfilos, amantes da arte de representar na tela e igualmente amantes de Alvalade, que decidiram ressuscitar o espírito dos cinemas históricos que ali existiram e vão passar a ter exibições regulares já a partir de 12 de abril.

“Alvalade CineClube. Há cinema na tua vida” — é este o mote do projeto que um grupo de residentes e ex-residentes do bairro de Alvalade vai fazer arrancar já no próximo dia 12 de abril com a exibição de “Belarmino” no Centro Cívico Edmundo Pedro. A informação é relevante, mas convém explicar como é que se deu este renascer da sétima arte numa das zonas da capital onde, outrora, ela mais proliferou.

Ao Observador, Bruno Castro, um dos responsáveis do projecto – que reúne pessoas que vivem, viveram, trabalham ou trabalharam no bairro –, disse: “Nós somos um grupo de pessoas ligadas ao bairro e à sua história”. Com a paixão pelo cinema como força agregadora, estes cinéfilos decidiram inspirar-se no passado, quando “existiam vários polos” da sétima arte em Alvalade — como o King, o ACSantos ou o próprio Cinema Alvalade — para devolver à comunidade que tanto estima os espaços “que foram fechando e desaparecendo”. “Neste momento há uma opção mais comercial, virada para as grandes produções norte-americanas, mas faltam oportunidades de dar a conhecer uma visão mais independente”, sublinha Bruno Castro no mesmo artigo.

“A nossa linha de programação pretende dar espaço a cinema menos dirigido a um consumidor massificado”, explica o responsável. “Não teremos só obras de autor, vai dependendo. Teremos coisas de cariz documental também”, acrescenta.

Aquilo que se pode esperar desta programação, começa com “Belarmino”, a história do pugilista que dá nome ao filme. Ao mesmo tempo, a escolha deste filme para a grande inauguração é também “uma homenagem ao que é o bairro”, não fosse Fernando Lopes, o realizador da afamada longa-metragem, um antigo residente. Esta obra pertence ao ciclo “Cidades Visíveis”, mas vai haver mais.

E para saber mais sobre este tema e sobre os ciclos que se aproximam, o melhor é passar pela página de Facebook, na qual consta a programação completa e detalhada. Note que as exibições serão sempre gratuitas, sem reserva prévia (pelo menos por agora), e decorrerão no auditório do Centro Cívico Edmundo Pedro, na sequência de uma parceria com a junta de freguesia de Alvalade.

Para ler o artigo do Observador, um jornal que em breve o Viver Alvalade irá visitar para mostrar como se fazem as melhores notícias no bairro, clique e desfrute de boas leituras https://observador.pt/2019/04/04/o-espirito-do-king-ou-do-acsantos-regressa-com-o-alvalade-cineclube/